Quando a vida resolveu de repente me premiar com 20 quilos a mais, após períodos introspectivos, recorrentes, submissos, calados, de constante depressão enrustida, engolida, resignada, eu passei a me olhar no espelho e nas fotos e não reconhecer aquela pessoa que até ontem tinha 57 e hoje quase 70, ou mais. Aquela pessoa dentro de mim não era eu. Aquela papada não era minha. Nem aquela bunda. Muito menos aquela bunda!
Como dizia o Arnaldo Antunes "eu não caibo mais nas roupas que eu cabia....os anos se passaram enquanto eu dormia...."
Durante anos eu tenho vivido esse não-reconhecimento de mim mesma e creio que isso tenha abalado um pouco a minha estrutura emocional.
Mas recentemente, eu sinto saindo de mim um Alien. Eu me vejo dizendo coisas que nunca esperariam ouvir da minha boca. Eu me vejo fazendo planos que até ontem estavam fora de cogitação, "no way". Eu me vejo fazendo considerações a respeito de assuntos que taxativamente eu condenava. Até ontem. Este Alien está assustando as pessoas com quem eu convivo, e eu não sei se tenho certeza sobre como ele entrou em mim (mas também não tenho certeza se quero que ele vá embora)
Ou será que a comilança na deprê foi tanta que fez surgir isso? Oh my God.
Eu sempre fui reconhecida como a doce, meiga, educada Jeanine. Confesso que nem sempre eu gostei de ser assim. Mas a doce, meiga, educada, ponderada, sensata, responsável, tirou férias sem aviso prévio, e agora, eu - até eu - tenho me assustado com esse ser alienígena que vive dentro de mim e eclode do limbo às vezes para fazer careta para as pessoas. Será que essa sou a nova eu? Será que é a tal Lua em Marte? Será que isso vai sarar? Será que eu já tô virando a velha rabujenta que serei daqui a bem poucos anos? Eu sinto que deve ser o desconforto da situação.
Eu juro que não sei.
A mola encolhida que tanto foi incomodada, agora precisa incomodar um pouco para conseguir fazer o seu papel. I can't get no satisfaction. Mick Jagger de Deus! I want to break free. Fred Mercury, meu filho, me salva!
Trilha sonora de Kid Abelha 1
"Não fosse amor, não haveria planos. Como uma onda, quebraria cedo.
Fosse um momento, não faria estragos. E eu não estaria no chão. Não, não.
Não fosse amor, não causaria medo. Feito um brinquedo, cansaria logo.
Fosse ilusão, não traria tanta saudade. E eu não choraria no chão.
Então....deve ser amor. Deve ser. Então?
Não fosse amor, não duraria tanto a chama de um banho-maria brando.
Fosse passado, não passaria corrente.
E eu não chamaria de amor. Eu não!
Deve ser amor. Deve ser. Então?"
Obrigada Paula Toller, por mais este brinde.
Trilha Sonora de Kid Abelha 2
Mudanças no comportamento - Edgard Scandurra
Uma delicada lembrança
Branca neve que nunca senti
Solidão me deixe forte
Talvez resolva meus problemas
Eu morreria por você
Na guerra ou na paz
Eu morreria por você
Sem saber do que sou capaz
Mudanças no meu comportamento
Distância louca de mim mesmo
Vontade de sentir o passado
Presente pra você
Ai ai.
Trilha Sonora de Kid Abelha 2
Mudanças no comportamento - Edgard Scandurra
Uma delicada lembrança
Branca neve que nunca senti
Solidão me deixe forte
Talvez resolva meus problemas
Eu morreria por você
Na guerra ou na paz
Eu morreria por você
Sem saber do que sou capaz
Mudanças no meu comportamento
Distância louca de mim mesmo
Vontade de sentir o passado
Presente pra você
Ai ai.
Na guerra ou na paz
Eu morreria por você
Sem saber do que sou capaz
Mudanças no meu comportamento
Distância louca de mim mesmo
Vontade de sentir o passado
Presente pra você
Ai ai.
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