domingo, 3 de outubro de 2010

Resignação - odeio esta palavra!

O Vale

Sou como um vale, numa tarde fria,

Quando as almas dos sinos, de uma em uma,

No soluçoso adeus da ave-maria

Expiram longamente pela bruma.

É pobre a minha messe. É névoa e espuma

Toda a glória e o trabalho em que eu ardia...

Mas a resignação doura e perfuma

A tristeza do termo do meu dia.

Adormecendo, no meu sonho incerto

Tenho a ilusão do prêmio que ambiciono:

Cai o céu sobre mim em pirilampos...

E num recolhimento a Deus oferto

O cansado labor e o inquieto sono

Das minhas povoações e dos meus campos.

Olavo Bilac
 
 

Um comentário:

Deixe sua inquietação aqui: