segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Cê de segunda

"O deserto que atravessei
ninguém me viu passar
estranha e só
nem pude ver
que o céu é maior
Olhei pra mim
me vi assim
tão longe de chegar
mais perto de algum lugar."

As crises de choro tornaram-se corriqueiras, agora. 
Ela nem sabia onde havia tanta lágrima pronta para desaguar ao primeiro acorde de uma música sugestiva...um vídeo no youtube....uma palavra dita por alguém querido...uma cena de filme onde ela se identifique...
Alguns raros minutos sozinha em casa e é certo: Elas vêem.
Lentas. Deslizando pela face. 
No início, rolando uma a uma. Delicadas. Poéticas. Educadas.
Enquanto a angústia rói a alma e lhe traz o coração à garganta, a intensidade da dor aumenta e elas, as lágrimas, perdem totalmente a linha, a educação, a poesia, a delicadeza e jorram, desaguando, molhando os papéis sobre a mesa.
O soluço é inevitável. O pranto faz tremer o seu corpo, já deformado pelo tempo e pela falta de cuidado e esperança num futuro melhor.
Por alguns longos minutos, ela se perde em seu choro incontido, e mergulhada nele, ela percebe uma "quase-certeza" de que o fim é inevitável. 
Os últimos dez anos a trouxera a este Monte Calvário onde ela se vê agora. Preparando-se para o momento da crucificação. Para a morte. Para o renascimento. Para o abismo indefinido chamado futuro. O medo do desconhecido, o medo do novo, o medo do escuro, o medo do julgamento, não podem ser maiores do que o desejo de virar esta mesa e ousar. Ousar ser uma pessoa plena outra vez.
E os minutos vão passando. A alma vai clareando aos poucos. 
Ela ouve passos.
Limpa o rosto. Retoma a naturalidade. E dá um sorriso ao morador que se aproxima, que nem por um segundo percebe que segundos atrás alguém morreu um pouco ali.
A vida não é filme
e você não entendeu
Ninguém foi ao seu quarto
Quando escureceu
Saber o que passava no seu coração
Se o que você fazia era certo ou não
E a mocinha se perdeu olhando o Sol se pôr
Que final romântico, morrer de amor
Relembrando na janela tudo que viveu
Fingindo não ver os erros que cometeu
E assim, tanto faz
Se o herói não aparecer
E daí, nada mais

A vida não é filme
Você não entendeu
De todos os seus sonhos não restou nenhum
Ninguém foi ao seu quarto
Quando escureceu
Só você não viu
Não era filme algum





Um comentário:

Deixe sua inquietação aqui: